02 abr
CONVERSANDO SOBRE A FRUSTRAÇÃO.

img_1_34_714

É difícil para os pais verem os filhos em situações difíceis, que exigem escolhas difíceis e muitas vezes o movimento deles é o de se antecipar aos pequenos como forma de ajudá-los. Mas protegê-los de vivenciar esses riscos, essas dificuldades, pode não ser legal, porque pode aumentar as chances de as fragilidades ficarem em evidência diante dos desafios e limita o repertório das crianças de se posicionarem frente a uma dificuldade, já que, por ter sempre alguém fazendo por elas, acabam não tendo vivências que as ajudem a reconhecer suas capacidades.

Esse movimento de antecipar-se a elas e de querer fazer tudo por elas é muito comum e totalmente compreensível, afinal, é de cortar o coração do papai e da mamãe ver o filho triste porque não conseguiu realizar o que queria ou porque não pode ter o que tanto pediu.

A intenção é sempre a de vê-los felizes! Mas vamos pensar um pouco sobre o quanto isso é essencial e rico na vida das crianças? Frustrar-se faz parte, é necessário e importante para a vivência dos pequenos. A frustração ensina, faz crescer, fortalece, ajuda a enfrentar os desafios e gera MUITOS aprendizados. À medida que vamos conseguindo oferecer esse limite de uma forma adequada e saudável, ou seja, à medida que damos espaço para que a criança viva a frustração, ela vai se organizando, entendendo o funcionamento das coisas e das relações e tende a ficar mais fácil aceitar as perdas e os fracassos (que fazem parte da vida!), quando eles acontecerem, porque a frustração deixa de ser um momento de tanto sofrimento e passa a ser entendida como parte do processo.

Precisamos reconhecer que as crianças necessitam da nossa ajuda para aprender sobre a vida e ter um desenvolvimento saudável e que a nossa atitude tem grande influência na forma como elas vão lidar com os desafios na vida adulta. Sendo assim, é importante que possamos acolher suas dificuldades e sentimentos de raiva e tristeza SEM, no entanto, TENTAR ELIMINÁ-LO. Mas “como assim?”, vocês me perguntam.

Diante de uma reação chateada por parte do pequeno frente a um limite que lhe foi dado ou a algo que ele não conseguiu fazer, experimentem TROCAR O “Filho, não fique triste, você já tem tantos brinquedos/outro dia o papai compra” POR “Filho, eu entendo que você está muito triste porque o papai não vai comprar o brinquedo que você queria. Eu também ficava assim quando não ganhava os meus. Vou esperar você se acalmar para conversarmos, porque assim a gente não vai conseguir ter uma conversa boa”; ou O “Filho, não fique chateado, fulano também não conseguiu/fulano já está treinando faz tempo” POR “Filho, eu estou vendo que você está com muita raiva porque não conseguiu fazer o que queria. Eu também fico chateada quando não consigo fazer alguma coisa que quero muito. Mas você pode tentar outras vezes, treinar mais e uma hora você vai conseguir. Vamos ver se tem outro jeito de fazer isso?”. A ideia é reconhecer e validar os sentimentos das crianças (porque eles são reais!).

Carinhooantidotodasbirras

Dessa forma, ajudaremos os pequenos a descobrirem suas habilidades para lidar com situações difíceis e a reconhecerem as ferramentas que têm e que podem ser “acessadas” nesses momentos. Além de ajudá-los a aceitar a frustração como um sentimento que faz parte, estimular a coragem, evitar comparações com outras crianças (cada uma delas é única, lembram?) e oferecer um elogio após uma atitude ou algo legal que aconteceu é super relevante para que a criança vá construindo sua autoconfiança e acredite que é capaz, que dá conta do que vier. Além disso, dar espaço e abertura para o diálogo, ajudando a reconhecer e entender seus sentimentos, bem como pensar juntos em possibilidades e alternativas também pode ajudar a criança a desenvolver uma segurança diante de suas capacidades.

Ajudar os pequenos a lidar com a frustração é abrir espaço para que eles desenvolvam a criatividade, aprendam a pensar em formas de vencer os obstáculos e a seguir em frente mesmo que eles existam, aprendam sobre a vida, construam uma grande experiência de vida acerca da autoconfiança e, consequentemente, cuidem da autoestima. Então, papais e mamães, vamos conversar com o nosso coração e deixá-lo tranquilo quando isso acontecer, porque de mãozinhas dadas com a frustração tem sempre um pacotão cheio de grandes aprendizados!

Marina Férrer é psicóloga integrante do Núcleo Criad (@nucleocriad).

Share on FacebookShare on Google+Tweet about this on TwitterPin on PinterestEmail this to someone

Comentários

Deixe uma resposta